
"O garfo / vou usando, a poesia dia / a dia vou comendo." (José Valle de Figueiredo, «A poesia animada», 1968)





Luiz (ou Luís) Guedes colaborou no nº 38 da revista presença, de Abril de 1933, com o poema "Pariz de França". O autógrafo que se apresenta data de 1931 e aparece aposto em Introdução à história do drama humano. Ensaio sobre o significado e valor da história (Porto, Livraria Simões Lopes Domingos Barreira [Editor], 1930), título que seria uma "Dissertação de Doutoramento no Grupo de Sciências Históricas, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto", não fosse a "Advertência", colada depois da capa, rezando: "Em vista da atitude tomada pelo Conselho da Faculdade de Letras da Universidade do Porto para com o Autor, resolveu este abster-se do cumprimento das provas a que tinha concorrido, ressalvando o direito de as fazer em condições menos ofensivas à sua dignidade intelectual." 



Editadas em 1908, na Typographia da Livraria Ferin, estas impressões de uma peregrina sobre a Terra Santa preenchem 97 páginas, divididas por 18 capítulos. As palavras iniciais ("Deux mots au lecteur") esclarecem o enigma de uma portuguesa narrar os eventos da sua viagem na língua de Victor Hugo: "j'ai fait ainsi simplement à cause de mes chers compagnons français de pèlerinage, qui n'entendant pas la belle langue de Camoëns, m'ont demandé d'écrire mes impressions en français." Esta é, pois, mais uma história de amizade. Como o é, afinal, a dedicatória de 1920 no exemplar que possuo.