

Eis um importantíssimo tributo à humanidade de Velásquez...
"O garfo / vou usando, a poesia dia / a dia vou comendo." (José Valle de Figueiredo, «A poesia animada», 1968)

A edição apresentada de Quatro Novelas, a 1ª, vinda a lume em 1908, com chancela coimbrã de França Amado -Editor, tem a particularidade de apresentar um autógrafo da Escritora dirigido a Bernardino Machado (1851-1944), Presidente da República Portuguesa (1915-1917 e 1925-1926) e Presidente do Ministério (1914-1921), entre outras funções de grande relevo. Foi ainda Bernardino Machado sogro de Aquilino Ribeiro.
Acabada de imprimir nas vésperas de Natal de 1924 e logo dedicada, como vemos na imagem, a Luís Vieira de Campos, esta Diana é um daqueles "breviários que tocaram e moveram o coração dos europeus." O timbre lilás do autógrafo vieiriano, tão comum nas suas aposições e dedicatórias, terá sido o mesmo com que o Autor fez a "transposição espiritual do texto" de Jorge de Montemor.





Luiz (ou Luís) Guedes colaborou no nº 38 da revista presença, de Abril de 1933, com o poema "Pariz de França". O autógrafo que se apresenta data de 1931 e aparece aposto em Introdução à história do drama humano. Ensaio sobre o significado e valor da história (Porto, Livraria Simões Lopes Domingos Barreira [Editor], 1930), título que seria uma "Dissertação de Doutoramento no Grupo de Sciências Históricas, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto", não fosse a "Advertência", colada depois da capa, rezando: "Em vista da atitude tomada pelo Conselho da Faculdade de Letras da Universidade do Porto para com o Autor, resolveu este abster-se do cumprimento das provas a que tinha concorrido, ressalvando o direito de as fazer em condições menos ofensivas à sua dignidade intelectual." 



Editadas em 1908, na Typographia da Livraria Ferin, estas impressões de uma peregrina sobre a Terra Santa preenchem 97 páginas, divididas por 18 capítulos. As palavras iniciais ("Deux mots au lecteur") esclarecem o enigma de uma portuguesa narrar os eventos da sua viagem na língua de Victor Hugo: "j'ai fait ainsi simplement à cause de mes chers compagnons français de pèlerinage, qui n'entendant pas la belle langue de Camoëns, m'ont demandé d'écrire mes impressions en français." Esta é, pois, mais uma história de amizade. Como o é, afinal, a dedicatória de 1920 no exemplar que possuo.