Tuesday, August 12, 2008

"Sangue na madrugada" de Rogério de Freitas


Rogério de Freitas é mais um caso de esquecimento literário. E o espanto é tanto maior quanto mais se sabe que nele existe uma qualidade ingénita, fruto da leitura e do acto hermenêutico.
A cópia reproduz uma capa de V. Palla e mostra a forma primeva do produto literário. Como um enigma, este objecto aparece-nos "como um apelo ou uma revelação". Poderia alguém desejar mais?

Saturday, August 09, 2008

"Horas, minutos, segundos..." (Contos e memórias), de Acúrcio Pereira




Este livro de contos e memórias foi publicado pela Livraria Portugália, na década de quarenta do século XX, e possui uma bonita ilustração de capa da autoria de Manuel Lapa. Acúrcio Pereira (1891-1978) foi, para além de contista, memorialista, tradutor e cronista, um grande vulto do jornalismo português e secretário de António Santos, um famoso empresário do Coliseu dos Recreios.
A dedicatória, dirigida a João Rosa, assinala uma data, que é a da publicação do livro.


Friday, August 08, 2008

"O hóspede de Job" de José Cardoso Pires


O romance “O hóspede de Job”, de José Cardoso Pires - cuja capa de primeira edição se reproduz ( Dezembro de 1963), bem como um autógrafo do Autor -, é já um notável exemplo de força narrativa. Abrindo com um lugar clássico (uma estação de caminhos de ferro e suas derivas), em breve surgem em primeiro plano figuras sofredoras e espezinhadas. É contra o poder discricionário dos poderes que este ciclo épico se levanta: afinal, a metáfora do regime aí está, lustral. (Re) Chegados à sua “ilha” (Cimadas), Aníbal e João Portela, cumprida a expiação da descida aos infernos, não obstante os estilhaços e as misérias arrostadas, estão ainda prontos para a maravilha e para o fulgor de esperança, mesmo que o segundo, coxo por vontade do exército e dos seus “científicos”exercícios, venha a ser “hóspede” em casa “de Job”.
Relembre-se ainda o importante e explicativo posfácio de Cardoso Pires, datado de Novembro de 1963.

Monday, January 21, 2008

"O meu sentir": o primeiro livro de versos de Maria Ondina (Braga)


O meu sentir é o primeiro livro de versos de Maria Ondina (Braga) e, diga-se, é o primeiro livro impresso da Autora. Publicada em Braga, esta colectânea poética, saída das Oficinas Gráficas da Livraria Cruz, anuncia um trajecto luminoso que os escassos 17 anos da escritora apenas prometiam. Vindo a lume em edição de autor, este O meu sentir aparece com dedicatória à boa amiga Maria José, "antiga colega nas lides de Liceu", e contém ilustrações de Virgílio.
Do fulgor primicial destaco, entre tantas possibilidades, o último terceto do soneto "Confissão", que parece emblematizar o percurso enxuto da artista portuguesa:
"E passo sem ninguém me conhecer,
Exultando cá dentro de prazer,
O prazer agridoce... de ser só!"
Quem vem conhecer Maria Ondina Braga?

Wednesday, December 05, 2007

"Velásquez" de Jaime Brasil




Eis um importantíssimo tributo à humanidade de Velásquez...

Saturday, September 01, 2007

"Noite de sangue e de mistério - O Crime da Poça das Feiticeiras" de Gilberto de Carvalho




Esta é mais uma visão de misteriosos acontecimentos na cidade de Viseu por meados da década de 20.


Monday, August 27, 2007

"O crime da Poça das Feiticeiras" de Álvaro de Magalhães

Sem deslindamento e dúvidas inultrapassáveis, este é um libelo defensivo da inocência dos acusados, tendo ainda a particularidade de ter sido ao actor Augusto Costa (Costinha).



Thursday, August 23, 2007

"Textos do Barro" de Luiz Pacheco




Disseminados ao vento e à espuma dos dias, eis que a luz da escrita pachequiana é barro e é imagem.

Tuesday, August 21, 2007

um nome de MULHER: Ana de Castro Osório


A edição apresentada de Quatro Novelas, a 1ª, vinda a lume em 1908, com chancela coimbrã de França Amado -Editor, tem a particularidade de apresentar um autógrafo da Escritora dirigido a Bernardino Machado (1851-1944), Presidente da República Portuguesa (1915-1917 e 1925-1926) e Presidente do Ministério (1914-1921), entre outras funções de grande relevo. Foi ainda Bernardino Machado sogro de Aquilino Ribeiro.
Ana de Castro Osório (1872-1935), mangualdense de nascimento, é um dos nomes mais importantes da literatura infanto-juvenil e não só, ficando ainda reconhecida a sua acção cívica e pedagógica.

Sunday, August 19, 2007

Afonso Lopes Vieira



Acabada de imprimir nas vésperas de Natal de 1924 e logo dedicada, como vemos na imagem, a Luís Vieira de Campos, esta Diana é um daqueles "breviários que tocaram e moveram o coração dos europeus." O timbre lilás do autógrafo vieiriano, tão comum nas suas aposições e dedicatórias, terá sido o mesmo com que o Autor fez a "transposição espiritual do texto" de Jorge de Montemor.

Monday, January 01, 2007

"Mar Santo" de Branquinho da Fonseca



Pese embora a inscrição genológica, talvez Mar Santo deva ser lido como uma novela e não como um romance. E essa correcção foi mais ou menos tentada pelo ficcionista. A dedicatória a Domingos Monteiro - sem dúvida, um par de Branquinho - manifesta o apreço humano e artístico que o autor de O Barão lhe devotava.
Expressão da gente da Nazaré, a obra fonsequiana, de 1952, narra os dramas do mar e a poesia dos actos mais simples, como, por exemplo, os vivíssimos e castiços diálogos entre os pescadores.
Leia-se, pois, este Mar Santo, à voz marinha...

Friday, August 25, 2006

Hernâni Cidade



Procurando contribuir para a "piquena Casa Lusitana", atinge Hernâni Cidade, com esta colecção de ensaios, um momento de elevada inspiração. A obra lê-se de um trago e capítulos existem que são fabulosos. Abrindo pistas e coligindo material informativo, Cidade é um dos grandes mestres da cultura portuguesa.

Monday, July 31, 2006

Luiz Guedes


Luiz (ou Luís) Guedes colaborou no nº 38 da revista presença, de Abril de 1933, com o poema "Pariz de França". O autógrafo que se apresenta data de 1931 e aparece aposto em Introdução à história do drama humano. Ensaio sobre o significado e valor da história (Porto, Livraria Simões Lopes Domingos Barreira [Editor], 1930), título que seria uma "Dissertação de Doutoramento no Grupo de Sciências Históricas, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto", não fosse a "Advertência", colada depois da capa, rezando: "Em vista da atitude tomada pelo Conselho da Faculdade de Letras da Universidade do Porto para com o Autor, resolveu este abster-se do cumprimento das provas a que tinha concorrido, ressalvando o direito de as fazer em condições menos ofensivas à sua dignidade intelectual."

Saturday, July 15, 2006

a presença de Henrique Barrilaro Ruas



Este autógrafo do grande Mestre e Doutrinador português tem a curiosidade de ter sido apensado à separata no dia do Infante de 1994, antes de uma memorável conferência que o Historiador proferiu na cidade de Viseu. Há incindíveis acasos: O Drama de um Rei era resultado já de uma outra realizada na Casa do Infante, em 1965.
Separata da revista Gil Vicente, o presente opúsculo manifesta a crença de que no mesmo trágico Terreiro do Paço surgirá o "Rei dos tempos novos", que trará na alma "a lembrança do Passado, mas nos olhos a luz do Futuro."

Saturday, July 01, 2006

Alfredo Pimenta, no início


Alfredo Pimenta (1882-1950) é, no sentido de Henrique Barrilaro Ruas, um altíssimo poeta “praticamente ignorado do público ledor”. Devedor de Verlaine, defendia que “versos são música e nada mais”. Este livro de versos Payzagem de Orchideas (1917) foi editada pela Livraria Editora Casa Ventura Abrantes, sita na Rua do Alecrim, 80-82.
Consagrando a colectânea “À sombra indecisa da Quimera” e encontrando o motivema em duas epígrafes retiradas de obras de Oscar Wilde (sempre tão presente em Pimenta, nomeadamente na primeira fase), o presente autógrafo lembra que há poetas que não devem permanecer deslembrados.
Anarquista coimbrão, republicanista apoiante de António José de Almeida e logo rendido, após 1915, ao Integralismo, a obra poética constrói-se consistentemente de 1904 a 1927.

Thursday, June 29, 2006

"Impressions de Terre Sainte" de Maria Salomé


Editadas em 1908, na Typographia da Livraria Ferin, estas impressões de uma peregrina sobre a Terra Santa preenchem 97 páginas, divididas por 18 capítulos. As palavras iniciais ("Deux mots au lecteur") esclarecem o enigma de uma portuguesa narrar os eventos da sua viagem na língua de Victor Hugo: "j'ai fait ainsi simplement à cause de mes chers compagnons français de pèlerinage, qui n'entendant pas la belle langue de Camoëns, m'ont demandé d'écrire mes impressions en français." Esta é, pois, mais uma história de amizade. Como o é, afinal, a dedicatória de 1920 no exemplar que possuo.